9 de maio de 2015

O que diziam os chamados Pais da igreja sobre adornos, jóias e pinturas?

Em seu livro História da Civilização, Will Durant registra a oposição da igreja cristã em relação ao uso de jóias: “as mulheres evitavam cosméticos e jóias e, sobretudo cabelos postiços”. 


Tertuliano, um dos pioneiros do cristianismo apostólico e que viveu no 4º século considerava que as jóias eram signos da ambição que se contrapunha a humildade (O toucador das mulheres I, 1-2). Acrescenta ainda, que todas as pedras preciosas, que exercem uma profunda fascinação sobre as mulheres levianas, não se comparariam à única pedra santa: o Logós de Deus chamado de pérola pelas Escrituras, ou seja, Jesus (O toucador das mulheres I, 118). Para Tertuliano o desejo de possuir jóias é ostentatório, perdulário, cobiçoso e vão (O toucador das mulheres I, 7). 


Clemente de Alexandria teve um papel importantíssimo na história da interpretação bíblica, sua obra é considerada um tratado prático de boa conduta. Para Clemente as jóias eram ornamentos próprios das meretrizes (Pedagogo II, 10, 121-122 e 127). Acrescenta ainda, que as mulheres deviam se preocupar somente com a beleza interior do adorno das boas obras como referido por Paulo em I Timóteo 2: 9-11. Jerônimo, um dos pais da igreja, disse que as mulheres quando convertidas ao cristianismo, deveriam se vestir com tecidos humildes, e que as suas jóias deveriam ser o jejum (Ep. 107). 


Wesley o avivalista do século XVIII se posicionou contra o uso de jóias: “não te causará tristeza ao usardes ornamentos desnecessários tais como brincos, colares e anéis?” 


No seu livro História Moderna Contemporânea, Renato Mocellin registra a oposição de Calvino em relação aos enfeites com jóias: “Calvino falava veementemente contra os bailes, jogos, teatros e enfeites com jóias”. 


No século XV Deus levantou em Florença na Itália, Jerônimo Savanarola que com suas mensagens ungidas se manifestava repetidas vezes contra as jóias e as vestimentas escandalosas das mulheres. 


Agostinho chamou as jóias de artifícios enganosos: “mesmo tendo marido não deveriam as esposas enganá-los com os artifícios das jóias”. Agostinho disse ainda: “o cristão não deve procurar atrair o olhar dos homens, com ornamentos supérfluos sob o pretexto de que o hipócrita, muitas vezes, utiliza-se de trajes simples para enganar os incautos; assim, a ovelha não deve deixar sua pele, ainda que alguma vez o lobo se revista dela” 


Um dos pais da igreja Ambrósio falando sobre os enfeites disse que é “loucura alterar a fisionomia natural através dos ornamentos”. 


Cipriano ensinou que: “os adornos, as roupas vistosas e as seduções da beleza pertencem apenas às mulheres desavergonhadas”.